sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

OS MENINOS CORAJOSOS


            O dois irmãos, uma menina de nove anos de idade e seu irmão de sete anos foram à cidade de Aperibé  comprar remédio na farmácia do Senhor Alceu.
            Da estação até a cidade havia duas pontes da estrada de ferro que eram o único  caminho. Feita a compra os meninos voltavam. Atravessaram a primeira ponte, caminharam pela ilha que separava as duas pontes e entraram na segunda ponte que era a mais comprida. Estavam no meio da ponte quando um trem de carga a toda velocidade vendo as crianças na ponte começou a apitar. Os dois irmãos se assustaram, mas o menino pegando a mão de sua irmã a levou até uma pilastra da ponte e disse para ela: não olhe nem para baixo nem para o trem, segure forte em mim.
            O maquinista ao passar pelas crianças gritou para eles: seus maluquinhos vou contar para o pai de vocês essa aventura perigosa. De fato ele conhecia o pai das crianças que era o chefe da estação onde o trem iria parar.
            Passado o perigo, os irmãos ainda assustados voltaram aos trilhos e diziam: “vamos fazer uma promessa porque escapamos do perigo e tivemos coragem e jeito de escapar”.

            Fica provado que os anjos da guarda acompanham e protegem as crianças. Pena que nem sempre as famílias ensinam seus filhos a rezar a seu anjo zeloso guardador que sempre os guardam, protegem dos perigos e os defendem do mal, iluminando seus caminhos para casa.

Contos de Paulo Motta
Livro: Memórias de um seminarista
Evangelho 5, 20-26

Eu vos digo: Se vossa Justiça não for maior que a dos escribas e dos fariseus, não entrarei no reino dos Céus. Todo aquele que tratar seu irmão com raiva deverá responder no tribunal; quem disser ao seu irmão 'imbecil' deverá responder perante o sinédrio. Portanto, quando estiveres levando a tua oferenda ao altar e ali te lembrares que teu irmão tem algo contra ti, deixa a tua oferenda diante do altar e vai primeiro reconciliar-te com teu irmão. Só então, vai apresentar a tua oferenda. Procura reconciliar-te com teu adversário, enquanto ele caminha contigo para o tribunal. Senão o adversário te entregará ao juiz, o juiz te entregará ao oficial de justiça, e tu serás jogado na prisão. Em verdade, te digo: dali não sairás, enquanto não pagares o último centavo. 

Reflexão
O Evangelho de hoje, Jesus dá como um critério a partir do qual a releitura da Lei deve se apoiar em uma prática que supere o rigorismo legalista e se embase no amor e na misericórdia.
Não se trata da interdição de tirar a vida de alguém, é proibido depreciar o semelhante dando a ele títulos ofensivos. 
Jesus impõe ao discípulo a exigência de reconciliação. A reconciliação é anterior e condição para oferta de um verdadeiro sacrifício; é o sacrifício que agrada a Deus. 

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

SERENATA


Passo a minha vida em serenata.
Espero paciente a noite mais alta,
com ou sem sereno, para ir ouvir,
com estrelas ou lua no céu, assistir
sons trazidos pelo vento, da mata,
dos pássaros noturnos, da coruja,
dos sapos, dos animais noturnos.

Os botequins e seus frequentadores,
ao som do violão e cheios de cerveja,
saúdam a noite que é sempre linda,
e os notívagos passantes, e também
os que dormem seu sono preguiçoso
perdendo o espetáculo da animação.

Janelas se abrem, as luzes se acendem
observam a noite com seus sons de vida.
Gostariam de lá estar e a noite vivenciar.
A noite iluminada e animada faz-se dia.


Paulo Motta
Evangelho (Lc 11,29-32)


Naquele tempo, 29quando as multidões se reuniram em grande quantidade, Jesus começou a dizer: “Esta geração é uma geração má. Ela busca um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado, a não ser o sinal de Jonas.
30Com efeito, assim como Jonas foi um sinal para os ninivitas, assim também será o Filho do Homem para esta geração. 31No dia do julgamento, a rainha do Sul se levantará juntamente com os homens desta geração, e os condenará. Porque ela veio de uma terra distante para ouvir a sabedoria de Salomão. E aqui está quem é maior que Salomão.
32No dia do julgamento, os ninivitas se levantarão juntamente com esta geração e a condenarão. Porque eles se converteram quando ouviram a pregação de Jonas. E aqui está quem é maior do que Jonas”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

Reflexão
Para muitas pessoas, Deus deve manifestar-se constantemente para todos, pois somente assim o mundo poderá crer. Na verdade, essas pessoas querem uma demonstração evidente da existência de Deus e da sua presença no nosso dia a dia, porém o Evangelho de hoje nos mostra que assim como Jonas foi um sinal para os ninivitas, Jesus é um sinal para nós, e Jonas foi um sinal para os ninivitas apenas por suas palavras, que os ninivitas ouviram e creram. Deste modo, Jesus é um sinal para nós por sua palavra e é nela que devemos crer e não ficar exigindo que ele fique realizando "milagres" para que fundamentemos a nossa fé.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

 OUVINDO  BACH
Tocata e fuga de Bach..., jardins suspensos
como nos sonhos que a música desperta nos corações
que enlevam no elevo apaixonado.
A realidade é vida, não ritual mas
junto às estrelas...onde nasce a luz.

Na união do som e da flor, há festa,
alegria, sorrisos. O amor passeia
como vento que a todos visita
deixando um perfume inebriante.

O vinho nas taças de cristal...
Soam elas no ritmo da música e dos corações.
Bach e suas fugas fugazes, eternas
enquanto duram, como disse o poeta.

Nas asas do som, toda a ternura do amor
pisando as nuvens como se foram algodão
atrás do que não viu nem conhece,
perdida no mundo deslumbrante
onde a alegria é um festival de fantasmas....

Ó musa, da-me a mão para o retorno
à realidade das ondas da vida
porque a este universo dos sonhos
a música me trouxe e a ela me apeguei
na dança em êxtase de viver e sonhar.

Poesias de Paulo Motta
Evangelho (Mt 6,7-15)
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 7“Quando orardes, não useis muitas palavras, como fazem os pagãos. Eles pensam que serão ouvidos por força das muitas palavras.
8Não sejais como eles, pois vosso Pai sabe do que precisais, muito antes que vós o peçais. 9Vós deveis rezar assim: Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome; 10venha o teu Reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como nos céus. 11O pão nosso de cada dia dá-nos hoje. 12Perdoa as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido, 13e não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal.
14De fato, se vós perdoardes aos homens as faltas que eles cometeram, vosso Pai que está nos céus também vos perdoará. 15Mas, se vós não perdoardes aos homens, vosso Pai também não perdoará as faltas que vós cometestes”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

Reflexão - Mt 6, 7-15
A eficácia da oração não é determinada pela quantidade de palavras nela presentes, pelo seu volume ou pela sua visibilidade, mas antes de tudo pela capacidade de estabelecer um relacionamento sério, profundo e filial com Deus. Quem fala muito, grita e fica repetindo palavras é pagão, que não é capaz de reconhecer a proximidade de Deus e ter uma intimidade de vida com ele. A oração também deve ter um vínculo muito profundo com o próprio desejo de conversão e de busca de vida nova, de modo que ela não seja discursiva, mas existencial e o falar com Deus signifique estabelecer um compromisso de vida com ele e para ele.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

O futuro pode estar nas águas passadas 
O Brasil é o terceiro país com o maior potencial hidrelétrico no mundo, atrás só da China e da Rússia, mas não está aproveitando dessa vantagem como poderia. Há anos, o conceito de "usinas hidrelétricas reversíveis de múltiplos usos", - plantas que geram energia, controlam as cheias dos rios, fornecem água potável e oferecem áreas de lazer e pesca - é conhecido no país, mas nenhum empreendimento desse tipo foi implantado. Em 2003, o governo de São Paulo chegou a contemplar a construção de uma usina no rio Juquiá, na bacia do rio Ribeira de Iguape, mas acabou desistindo. Se o projeto tivesse ido adiante, não haveria a atual crise de abastecimento de água na capital. 
Usinas reversíveis possuem dois reservatórios, um na parte de cima e outro na de baixo, e produzem energia de duas formas: a tradicional, em que a água desce de uma represa para a outra movendo turbinas e gerando eletricidade em momentos de maior demanda, e a complementar, que usa bombeamento reverso para levar água do reservatório inferior para o superior quando há menos demanda, garantindo o reúso. 
A última grande ampliação da rede d'água de São Paulo foi feita em 1993, quando foi implantado o sistema Alto Tietê. O complexo tem capacidade para fornecer 15 m³/s, o suficiente para abastecer 3 milhões de pessoas. Com a pressão demográfica, a expansão da oferta é uma demanda inescapável em longo prazo, mesmo com melhorias substanciais no funcionamento da rede. As soluções duradouras passam pelo uso da bacia do Ribeira de Iguape, o último grande rio intacto do Estado de São Paulo, previsto no Plano Diretor do DAEE. 
"A solução é buscar água na represa de Jurumirim, no rio Paranapanema, ou explorar melhor os rios São Lourenço e Juquiá, na bacia do Ribeira de Iguape", defendeu braga. A instalação de uma usina reversível na região figura entre as possibilidades. "Se nada disso saiu do papel, foi por que ninguém teve coragem. São projetos de bilhões de dólares", ponderou Braga - Secretário de Recursos Hídricos de São Paulo. 

Revista: Planeta
autor: Camilo Gomide

Evangelho Mt 25,31-46


"Quando o Filho do Homem vier em sua glória, ele se assentará em seu trono glorioso. Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: 'Vinde, benditos de meu Pai! Recebei em herança o Reino que meu Pai vos preparou! Pois eu estava com fome, e me destes de beber; eu era forasteiro, e me recebestes em casa; estava nu e me vestistes; doente, e cuidastes de mim; na prisão, e fostes visitar-me.' Então, o Rei lhes responderá: 'Em verdade, vos digo, todas as vezes que não fizestes isso a um desses mais pequenos, foi a mim que o deixastes de fazer!'

Reflexão
Trata-se de um discurso escatológico que, de certa forma, resume todo o evangelho, de modo especial os textos do seu contexto literário imediato, a saber, os capítulos 24 e 25. A manifestação definitiva do mistério do Reino de Deus se dá em gestos pequenos, simbólicos e significativos. Alguns desses gestos fazem parte de nossa vida cotidiana: dar de comer aos que têm fome, de beber aos que têm sede, vestir os que estão nus etc. O que é dito no texto vale não somente para os cristãos, mas para todo ser humano que vive neste mundo. é bastante provável que Ez 34, 17-22 tenha servido de inspiração para esse discurso escatológico. A separação, ou juízo, é feita em razão da vida vivida na caridade ou pela indiferença diante do sofrimento e necessidade alheia. Somente o olhar penetrante do pastor, do Filho do Homem, que ultrapassa as aparências, pode com verdade conhecer a situação de cada um e o que se é de fato. Se o texto fala de condenação, é para apelar a se viver no amor que exige o serviço ao semelhante. O critério último da salvação não é a fé, mas a caridade. 

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Ter ou Ser


Sou...
Sou o sonho e a realidade.
Sou o sol e a chuva.
Sou a terra fértil e o deserto ressequido.
Sou a fonte e o mar. 

                                    Sou..
                                    Sou a dor vivida e a felicidade em potencial.
                                    Sou o passado e o imprevisível.
                                    Sou o paradoxo e a possibilidade.
                                    Sou a dependência e a liberdade. 
Sou...
Sou o tudo e o nada.
Sou a chegada e o recomeço.
Sou o ontem e o mistério.
Sou o amanhã no hoje de sempre. 

                                  Sou...
                                  Sou o que desejo ser e o que busco alcançar.
                                  Sou o que amo e o que procuro realizar.
                                  Sou amor, imagem, sonho,
                                  Sou realidade, pessoa, esperança... sou algo de mim. 


Autor: Canísio Mayer
Evangelho (Mt 9,14-15)

Naquele tempo, 14os discípulos de João aproximaram-se de Jesus e perguntaram: “Por que razão nós e os fariseus praticamos jejuns, mas os teus discípulos não?”
15Disse-lhes Jesus: “Por acaso, os amigos do noivo podem estar de luto enquanto o noivo está com eles? Dias virão em que o noivo será tirado do meio deles. Então, sim, eles jejuarão”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

Reflexão
As práticas religiosas não podem ser simples ritualismos que cumprimos por costume ou tradição. Os fariseus e os discípulos de João faziam jejum, cumprindo os valores tradicionais da religiosidade de sua época, mas o cumprimento desses valores não lhes foi suficiente para que se tornassem capazes de reconhecer o tempo em que estavam vivendo e por quem foram visitados, de modo que não puderam viver a alegria de quem tem o próprio Deus presente em suas vidas e nem puderam usufruir de forma mais plena essa presença de graça. Somente quem viver uma verdadeira religiosidade que seja capaz de estabelecer um relacionamento profundo e maduro com Deus e perceber os seus apelos nos dos sinais dos tempos pode colher os frutos dessa religiosidade.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

       A CHUVA

Cai a chuva lá fora, traz o frio.
Cai a chuva no telhado traz o sono.
Cai a chuva no barraco traz lama.
Cai a chuva, reúne-se a família.
Cai a chuva, os campos se alegram.
Cai a chuva, a cidade se inunda.
Cai a chuva, os rios transbordam.
Cai a chuva, meu coração entristece.
Cai a chuva, meninos dançam nela.
Cai a chuva bem fininha, ainda bem.
Cai a chuva num temporal, semeia desgraça.
Cai a chuva, as nuvens desfaz.
Cai a chuva, a terra ressequida agradece.
Cai a chuva, vou esperar estiar para sair.
Cai a chuva, no pasto o gado se reúne.
Cai a chuva, os passarinhos já não cantam.
Cai a chuva, inda bem que sem trovoada de que tenho medo.


Paulo Motta 
Mensagem do Papa Francisco na Abertura da Campanha da Fraternidade
Por ocasião da abertura da Campanha da Fraternidade 2015, promovida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), nesta Quarta-feira de Cinzas, 18, o papa Francisco enviou mensagem, na qual destaca que o tempo quaresmal é propício para a vivência dos sentimentos de fraternidade e cooperação.No texto, o papa Francisco fala da importância da contribuição da Igreja no respeito à laicidade do Estado, sem esquecer a autonomia das realidades terrenas, conforme motiva a Doutrina Social, em vista do bem do ser humano. "Cada um deve fazer a sua parte, começando pela minha casa, no meu trabalho, junto das pessoas com que me relaciono. E de modo concreto, é preciso ajudar aqueles que são mais pobres e necessitados", disse Francisco.
Ao final da mensagem, o papa cita, ainda, o lema da CF 2015, "Eu vim para servir", recordando as palavras de Jesus. "Queridos irmãos e irmãs, quando Jesus nos diz 'Eu vim para servir', no ensina aquilo que resume a identidade do cristão: amar servindo. Por isso, faço votos que o caminho quaresmal deste ano, à luz das propostas da Campanha da Fraternidade, predisponha os corações para a vida nova que Cristo nos oferece, e que a força transformadora que brota da sua Ressurreição alcance a todos em sua dimensão pessoal, familiar, social e cultural e fortaleça em cada coração sentimentos de fraternidade e de viva cooperação. A todos e a cada um, pela intercessão de Nossa Senhora Aparecida, envio de todo coração a Bênção Apostólica, pedindo que nunca deixem de rezar por mim", disse.  


Evangelho (Lc 9,22-25)

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 22“O Filho do Homem deve sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e doutores da Lei, deve ser morto e ressuscitar no terceiro dia”.
23Depois Jesus disse a todos: “Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz cada dia e siga-me. 24Pois quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de mim, esse a salvará.
25Com efeito, de que adianta a um homem ganhar o mundo inteiro, se se perde e se destrói a si mesmo?”

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.


Reflexão
O verdadeiro discípulo de Jesus é aquele que vive como o próprio Jesus e faz dele o modelo de sua vida. Jesus nunca viveu para si, mas sempre viveu para o Pai e para os seus irmãos e irmãs, fazendo do seu dia a dia um serviço a Deus e ao próximo. A exemplo de Jesus, nós devemos passar por esse mundo não para buscar a satisfação dos nossos interesses e necessidades, mas para deixar de lado tudo o que nos impede de ir ao encontro de nossos irmãos e irmãs que precisam de nós, da nossa presença e do nosso serviço, e que também nos impede de ir ao encontro do próprio Deus para vivermos com ele a sua vida.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015



AS CIDADES
Criação do homem buscando convivência e solidariedade.
Belas, onde moram os ricos, feias onde estão os pobres.
Os bens se acumulam para utilização de todos?
O trabalho é oferecido com vagas, para o alimento
e os bens desejados. A pobreza se avoluma,
a riqueza se concentra nas mãos de poucos,
os problemas da convivência crescem
a cada dia e os serviços são sucateados.
O trabalho é explorado pelo capital sucateador
as cidades crescem, mais a qualidade de vida
não chega a todos igualmente, assim a cidade
dos homens é o oposto da cidade de Deus,
onde todos se igualam na proporção
do amor vivido e distribuído como missão.
Então as cidades não têm coração
nem podem disso ser acusadas
pois sem o coração dos homens
seriam cidades mortas e com a pertença
a eles, são como eles são.
A utopia foi imaginada e escrita,
mais posso sonhar do que para mudar.
O coração do homem é o pulsar das cidades,
ele não as muda e elas não o podem mudar.

Paulo Motta
                                                  

Evangelho (Mc 7,1-13)
Naquele tempo, 1os fariseus e alguns mestres da Lei vieram de Jerusalém e se reuniram em torno de Jesus. 2Eles viam que alguns dos seus discípulos comiam o pão com as mãos impuras, isto é, sem as terem lavado.
3Com efeito, os fariseus e todos os judeus só comem depois de lavar bem as mãos, seguindo a tradição recebida dos antigos. 4Ao voltar da praça, eles não comem sem tomar banho. E seguem muitos outros costumes que receberam por tradição: a maneira certa de lavar copos, jarras e vasilhas de cobre.
5Os fariseus e os mestres da Lei perguntaram então a Jesus: “Por que os teus discípulos não seguem a tradição dos antigos, mas comem o pão sem lavar as mãos?” 6Jesus respondeu: “Bem profetizou Isaías a vosso respeito, hipócritas, como está escrito: ‘Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim. 7De nada adianta o culto que me prestam, pois as doutrinas que ensinam são preceitos humanos’. 8Vós abandonais o mandamento de Deus para seguir a tradição dos homens”.
9E dizia-lhes: “Vós sabeis muito bem como anular o mandamento de Deus, a fim de guardar as vossas tradições. 10Com efeito, Moisés ordenou: ‘Honra teu pai e tua mãe’. E ainda: ‘Quem amaldiçoa o pai ou a mãe deve morrer’.
11Mas vós ensinais que é lícito alguém dizer a seu pai e à sua mãe: ‘O sustento que vós poderíeis receber de mim é Corban, isto é, Consagrado a Deus’. 12E essa pessoa fica dispensada de ajudar seu pai ou sua mãe. 13Assim vós esvaziais a Palavra de Deus com a tradição que vós transmitis. E vós fazeis muitas outras coisas como estas”.



— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

Reflexão - Mc 7, 1-13

Jesus, citando o profeta Isaías, diz: 'Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim'. Precisamos saber se somos cristãos de palavras ou de coração. O cristão de palavras é aquele que vive uma religiosidade de cumprimento de preceitos, normas e rituais, que em nada difere dos rituais de alquimia e bruxaria que existem por aí; o que muda é que no lugar de abracadabra, fala frases bonitas com efeitos especiais. O cristão de coração é aquele que ama a Deus, ama os seus irmãos que são templos dele e procura servir a Deus no serviço aos irmãos e irmãs, na valorização da pessoa humana e promoção da sua dignidade. O cristão de coração fala pouco e nem sempre sabe falar bonito, mas ama muito, é solidário, generoso e fraterno.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Evangelho (Mc 6,53-56)
Naquele tempo, 53tendo Jesus e seus discípulos acabado de atravessar o mar da Galileia, chegaram a Genesaré e amarraram a barca. 54Logo que desceram da barca, as pessoas imediatamente reconheceram Jesus.
55Percorrendo toda aquela região, levavam os doentes deitados em suas camas para o lugar onde ouviam falar que Jesus estava.
56E, nos povoados, cidades e campos onde chegavam, colocavam os doentes nas praças e pediam-lhe para tocar, ao menos, a barra da sua veste. E todos quantos o tocavam ficavam curados.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

Reflexão
A cada travessia do lago, Jesus leva não somente a esperança às pessoas, mas também a experimentarem a salvação e a misericórdia de Deus. A cada encontro o Senhor, por seus gestos e palavras, revela que Deus é bom para com todos e que não há lugar onde o Senhor não esteja. Todo e qualquer lugar é ocasião para a manifestação da salvação de Deus. Nosso texto é um sumário cuja finalidade é condensar em poucas linhas a atividade de Deus e o sucesso de sua missão.  As pessoas buscam tocar ao menos na franja do manto de Jesus. Cria-se que uma pessoa revestida do poder de curar alguém poderia fazê-lo, inclusive, através de suas vestes e até de sua sombra. O fato é que, e é isso que importa fazer saber o leitor do evangelho, a passagem de Jesus pela vida das pessoas desperta, lá onde parece não haver mais o que esperar, a esperança e a fé na vida.  As pessoas que tocavam Jesus experimentavam-se tocadas por ele e sentiam a força desse encontro no próprio corpo.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Evangelho (Mc 6,14-29)

Naquele tempo, 14o rei Herodes ouviu falar de Jesus, cujo nome se tinha tornado muito conhecido. Alguns diziam: “João Batista ressuscitou dos mortos. Por isso os poderes agem nesse homem”. 15Outros diziam: “É Elias”. Outros ainda diziam: “É um profeta como um dos profetas”.
16Ouvindo isto, Herodes disse: “Ele é João Batista. Eu mandei cortar a cabeça dele, mas ele ressuscitou!” 17Herodes tinha mandado prender João, e colocá-lo acorrentado na prisão. Fez isso por causa de Herodíades, mulher do seu irmão Filipe, com quem se tinha casado.
18João dizia a Herodes: “Não te é permitido ficar com a mulher do teu irmão”. 19Por isso Herodíades o odiava e queria matá-lo, mas não podia. 20Com efeito, Herodes tinha medo de João, pois sabia que ele era justo e santo, e por isso o protegia. Gostava de ouvi-lo, embora ficasse embaraçado quando o escutava.
21Finalmente, chegou o dia oportuno. Era o aniversário de Herodes, e ele fez um grande banquete para os grandes da corte, os oficiais e os cidadãos importantes da Galileia. 22A filha de Herodíades entrou e dançou, agradando a Herodes e seus convidados. Então o rei disse à moça: “Pede-me o que quiseres e eu te darei”. 23E lhe jurou dizendo: “Eu te darei qualquer coisa que me pedires, ainda que seja a metade do meu reino”.
24Ela saiu e perguntou à mãe: “Que vou pedir?” A mãe respondeu: “A cabeça de João Batista”. 25E, voltando depressa para junto do rei, pediu: “Quero que me dês agora, num prato, a cabeça de João Batista”.
26O rei ficou muito triste, mas não pôde recusar. Ele tinha feito o juramento diante dos convidados. 27Imediatamente, o rei mandou que um soldado fosse buscar a cabeça de João. O soldado saiu, degolou-o na prisão, 28trouxe a cabeça num prato e a deu à moça. Ela a entregou à sua mãe. 29Ao saberem disso, os discípulos de João foram lá, levaram o cadáver e o sepultaram.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

Reflexão - Mc 6, 14-29

Quem é Jesus para você? O Evangelho de hoje mostra que todos ouviam falar de Jesus, porém poucos o seguiam e sabiam da sua missão. Ainda hoje, ninguém desconhece a figura de Jesus. O que interessa porém é o que Ele representa na sua vida. Herodes, tinha remorsos ao imaginar que João Batista teria ressuscitado, outros imaginavam que ele seria um profeta. Só conhece a Jesus quem o aceita e anda com Ele como os apóstolos, os mártires e os santos.
 
 

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015



A Palavra de Deus no dia de hoje, nos convida a refletir sobre alguns pontos importantes para viver o discipulado de Jesus. (Evangelho de Marcos Mc 6,7-13)


1 - Vocação: acompanhar Jesus e ter disponibilidade para ser enviado em missão;

2 - Pregação: os discípulos são chamados a pregar assim como Jesus e João Batista. A pregação deles é um apelo à conversão;

3 - Aliança e Jesus: viver fielmente a Aliança para reconhecer o tempo da visita salvífica de Deus em Jesus Cristo;

4 - Poder de Jesus: o poder dele é o poder do Senhor. Para a missão só o necessário para a mobilidade e a disponibilidade;

5 - Desapego: é necessário desapego pois a confiança não pode estar nos meios, mas no próprio Senhor que os envia;

6 - Servir: as pessoas devem ver realizado nos discípulos o que eles anunciam; 

7 - Igreja: a missão da Igreja está fundamentada num mandato do Senhor.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015



VOCÊ ME PERGUNTOU O QUE É POESIA ... ?


Sua pergunta vem de uma ilha tão distante que continua incólume. Andar em silêncio até que o milagre por trás de tudo se revele é poesia. Você deseja procurar a poesia em sua alma e em seu dia a dia, como procura pedras na praia. A mais de 6 mil quilômetros de distância, enquanto o sol derrete a neve, eu sorrio. Pois, neste instante, você é a poesia. Após anos de busca, só posso dizer que procurar pequenas coisas desgastadas pelo tempo é a arte da poesia. Mas ouvir o que elas dizem é o poema em si.

Autora: Oprah Winfrey
Livro: O que eu sei de verdade
Palavra de Deus Hoje... (Mc 6,1-6)

 Naquele tempo, 1Jesus foi a Nazaré, sua terra, e seus discípulos o acompanharam. 2Quando chegou o sábado, começou a ensinar na sinagoga. Muitos que o escutavam ficavam admirados e diziam: “De onde recebeu ele tudo isto? Como conseguiu tanta sabedoria? E esses grandes milagres que são realizados por suas mãos? 3Este homem não é o carpinteiro, filho de Maria e irmão de Tiago, de Joset, de Judas e de Simão? Suas irmãs não moram aqui conosco?” E ficaram escandalizados por causa dele. 4Jesus lhes dizia: “Um profeta só não é estimado em sua pátria, entre seus parentes e familiares”. 5E ali não pôde fazer milagre algum. Apenas curou alguns doentes, impondo-lhes as mãos. 6E admirou-se com a falta de fé deles. Jesus percorria os povoados das redondezas, ensinando.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

Comentário
O texto não o diz explicitamente, mas, certamente, é para Nazaré que Jesus foi. Jesus é um judeu praticante, piedoso. É o que o evangelho no dá a entender, quando diz que num dia de sábado ele foi à sinagoga para escutar a Palavra de Deus, meditá-la, ouvir comentários sobre os textos e, por vezes, ele mesmo, comentá-la. O que propriamente Jesus ensinava, Marcos não nos diz. O certo é que o seu ensinamento causava admiração, porque certamente fazia sentido e porque ele ensinava como quem tem autoridade. Não obstante a admiração, vêm a resistência, a dúvida, a incredulidade. De onde vem a falta de fé? Em primeiro lugar, da estreiteza de visão de que alguém do convívio deles, como eles, pudesse ter tal sabedoria e realizar tais atos de poder, como Jesus o fazia. Em segundo lugar, do fechamento à surpresa de Deus, o qual impede ultrapassar fronteiras e reconhecer nas palavras e gestos de Jesus os sinais que remetem à vida de Deus que o habita. É por essa incredulidade que Jesus não pode fazer nada ali. Se os concidadãos de Jesus se perguntam sobre a identidade dele, eles nada respondem. A falta de humildade cega. Apesar da incredulidade dos de sua própria pátria, Jesus leva adiante a sua missão.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015



Nova metodologia de aula

Faltou professor de português para os alunos do segundo grau. Diversos professores foram sondados e não se chegava a uma possibilidade de ajustamento de horários. Foi feito convite a uma professora de renome na cidade e ela talvez por se tratar de colégio de padres não aceitou o convite, mas indicou seu marido que também era professor de português e lecionava na Universidade Federal.
Foi acertado com ele e começou a lecionar. O diretor do colégio tinha o costume de passar pelos corredores das aulas para reparar o andamento das aulas. Passando em frente à sala onde o novo contratado lecionava, estranhou o que viu: os alunos de cabeça baixa sobre a carteira e o professor sentado à mesa em atitude de meditação.
Curioso pelo panorama visto, continuou a olhar pelo vidro. Viu um aluno pular pela janela que dava para o jardim, depois outro e mais outro.
O diretor deu a volta e foi ao jardim esperar os puladores. Logo chegaram a meia dúzia. Ao fim da aula verificou que dos trinta alunos da classe apenas vinte estavam na sala. Levou os fujões ao professor e explicou o que estava acontecendo.
O mestre explicou que dava vinte minutos de aula e depois colocava um som para os alunos pensarem e depois na próxima aula partilharem com seus colegas o que tinham percebido. E acrescentou que era melhor trabalhar com poucos alunos que queiram aproveitar e deixar livres os que não se interessavam em participar e aprender.
Professor há um programa a desenvolver com todos os alunos e a aula é de português, não de psicologia, disse o diretor.

Contos de Paulo Motta
Livro: Memórias de um Seminarista
Evangelho (Mc 5,21-43)


Naquele tempo, Jesus atravessou de novo, numa barca, para outra margem. Uma numerosa multidão se reuniu junto dele. Aproximou-se, então, [...] Jairo quando viu Jesus, caiu a seus pés, [...] e pediu com insistência: “Minha filhinha está nas últimas. Vem e põe as mãos sobre ela, para que ela sare e viva!”[...]

Numerosa multidão o seguia e comprimia. Ora, achava-se ali uma mulher que, há doze anos, estava com hemorragia; tinha sofrido nas mãos de muitos médicos, gastou tudo o que possuía, e, em vez de melhorar, piorava cada vez mais.

Tendo ouvido falar de Jesus, aproximou-se dele por detrás, no meio da multidão, e tocou na sua roupa. Ela pensava: “Se eu ao menos tocar na roupa dele, ficarei curada”. [...] Jesus  lhe disse: “Filha, a tua fé te curou. Vai em paz e fica curada dessa doença”.

Ele estava ainda falando, quando chegaram alguns da casa do chefe da sinagoga, e disseram: “Tua filha morreu.  Jesus viu a confusão e como estavam chorando e gritando.

Então, ele entrou e disse: “Por que essa confusão e esse choro? A criança não morreu, mas está dormindo”. Jesus pegou na mão da menina e disse: “Talitá cum” — que quer dizer: “Menina, levanta-te!” 42Ela levantou-se imediatamente e começou a andar, pois tinha doze anos. E mandou dar de comer à menina.[...]

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

Reflexão

Jesus é um Messias itinerante, sempre a caminho. Não quem Jesus não acolha, a todos dá ouvidos e os socorre em suas aflições. Jesus atende à súplica de Jairo e, no caminho até a casa do chefe da sinagoga, acompanhado de uma multidão que o comprimia, encontra-se com aquela mulher anônima, impura pois sofria de um fluxo de sangue; sua vida se esvaía no sangue que ela, desde há muito tempo, perdia. A prontidão de atender Jairo não o impede de procurar a mulher que o toca. Dele saiu uma "força", um modo do dizer do Espírito Santo, que a tirou de sua longa enfermidade. O tema que perpassa toda a nossa perícope é o da fé: à mulher, Jesus diz: "filha, a tua fé te salvou"; a Jairo Jesus recomenda: " Crê!". A fé é a condição para receber a vida como dom de Deus, e necessária para reconhecer Jesus como o Senhor da vida. Arautos da desgraça, os encontraremos sempre. é preciso, porém, não deixar que suas vozes insistentes penetrem em nós e nos impeçam de ouvir a voz de nossa salvação: "Não temas, crê somente!

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015



ORQUÍDEA
 
Rainha das árvores e dos corações,
nascida no berço de cascas,
ergue-se para olhar perto e longe
e também ser olhada, pois beleza
não se esconde, se exibe.
Quem a encontra acha um tesouro
quer admirar e se emocionar.
Na mata se esconde na simplicidade,
mas os pássaros a visitam e dela se alimentam.
O colibri se equilibra no ar cortejando-a,
amando-a como a uma mística donzela.

Paulo Motta