sábado, 25 de agosto de 2012

QUEM SABE ELA VEM?...


Quem sabe se ela vem? Quem sabe se, chorando,
Um dia à minha porta baterá, saudosa...
Quantas vezes eu fico a longa estrada olhando,
A alma dentro de mim desperta, esperançosa!

E nessa longa espera, infinda e caprichosa,
As tardes vão morrendo, os dias vão passando:
Debalde sobre a estrada imensa e sinuosa
O meu olhar debruço, o seu perfil buscando.

Mas mesmo assim sem vê-la às vezes fico à espera,
E ficar a olhar a estrada muito tempo assim,
No Outono, no Verão, Inverno e Primavera.

E apesar de saber que não virá ninguém,
fito a estrada por onde ela fugiu de mim,
e fico a murmurar: quem sabe se ela vem!...

Livro: Rimas antigas, Sonetos e Poemas – Editora Líder pág. 45
Autor: Nunes Bittencourt



NOITE DE SÃO BARTOLOMEU- 24/AGOSTO



Em 1570 um acordo selou uma suspensão
 de hostilidades entre católicos e
protestantes na França; 
ele se tornou conhecido
 como Tratado de Paz de Saint
Germain, conduzido por Catarina de Médici.
 Dois anos depois, porém, depois da
realização do matrimônio entre Marguerite de Valois, irmã do monarca francês, e
Henrique de Navarra, 
o líder dos huguenotes, 
como os católicos denominavam seus
adversários calvinistas na França, o cenário se transformou radicalmente.
Nesta ocasião ocorreram quatro eventos imprevistos, mas conectados entre si. O
casamento real tinha como objetivo abrandar as rivalidades religiosas e, ao
mesmo tempo, ampliar as chances de Henrique na conquista do trono. O povo,
contudo, de maioria católica, estava descontente com esta aliança.
Mas, no dia 22 de agosto deste ano, um devoto do catolicismo francês, Mauveret,
representante de Catarina de Médici, cometeu um ato violento contra o almirante
Gaspard de Coligny, um dos chefes dos protestantes parisienses, 
que quase culminou com sua morte.
 Este atentado da Coroa Francesa contra Coligny causou revolta 
entre seus seguidores, e a partir de então as hostilidades foram retmadas.
Catarina detinha então imenso poder em suas mãos, pois o soberano, Carlos IX,
era ainda muito jovem para assumir
 a autoridade máxima de sua nação. 
Ambiciosa e cruel,
 a mãe do futuro rei francês convenceu o filho a mandar eliminar o
almirante e seus asseclas, 
a pretexto de deter
 um possível ataque dos protestantes.
Na cidade de Paris, em 24 de agosto de 1572, a Casa Real perdeu as rédeas da
situação e deu-se início ao terrível extermínio de protestantes franceses. Esta
data foi escolhida por nela ser comemorado o dia de São Bartolomeu, uma das
festividades mais significativas do catolicismo na França. Assim, nesta
madrugada, o evento intitulado a Noite de São Bartolomeu foi desencadeado e se
prolongou por vários meses, resultando na eliminação de pelo menos trinta mil
franceses. Alguns historiadores falam da morte de cerca de cem mil pessoas.
Os assassinatos partiram da capital francesa na direção de outras cidades deste
país, tais como Toulouse, Bordéus, Lyon, Bourges, Rouen, e Orléans. A morte dos
líderes dos calvinistas foi apenas uma primeira investida dos católicos,
culminando logo depois em um genocídio de maiores proporções.
Este episódio sangrento foi imortalizado na produção cinematográfica francesa A
Rainha Margot, de 1993, protagonizada por Isabelle Adjani e vencedora do Prêmio
do Júri no Festival de Cannes. O filme é baseado na obra de Alexandre Dumas, La
Reine Margot, lançada em 1845. É possível ver nas telas uma versão bem crua e
sanguinária do que ocorreu na Noite de São Bartolomeu.


sexta-feira, 24 de agosto de 2012

PREVENÇÃO É UMA TENDÊNCIA NOVA

Especialista em esquizofrenia, o Psiquiatra Rodrigo Bressan procura desmistificar a doença, revela as novidades em tratamentos e explica porque o distúrbio é considerado um dos mais
 misteriosos da mente humana.
A novidade do momento é utilizar métodos para identificar indivíduos prestes a desenvolver a esquizofrenia,
 alcançando o chamado grupo de alto risco para a doença.
O transtorno bipolar é diferente da esquizofrenia porque tem como característica principal variações de humor, em que a pessoa passa rapidamente da euforia para a depressão.

O grupo de alto risco é formado por pessoas que tem sintomas leves ou de curta duração, que não perduram. Elas podem já estar um pouco mais isoladas ou mostrarem algumas “cismas” além de apresentarem mudanças no desempenho escolar, por exemplo.
Posso afirmar que existe muita pesquisa a respeito da esquizofrenia. É um transtorno bastante estudado. Porém, por ser uma doença que atinge o cérebro, traz consigo uma grande complexidade.

Revista: Psique Ano VI-Edição 80 pág. 7-11
Autor: Lucas Vasques

MOTIVO - CECÍLIA MEIRELLES


Eu canto porque o instante existe 
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste: sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
Não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias no vento.
Se desmorono ou se edifico,
 se permaneço ou me desfaço,
-não sei, não sei.
 Não sei se fico ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo. 
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
-Mais nada.


Livro: Os cem melhores poemas brasileiros do século Pág. 99
Autor: Cecília Meireles


AGRADECIMENTO E FILOSOFIA




A pequenina estendeu o bracinho para cima, o pequeno pulso dobrado, os dedos segurando suavemente o papelzinho, que esvoaçava levemente. Ela me espreitou por uns segundos e disse: - Oh, eu vou soltar. Apenas observava. Olho para onde ele iria entre as areias, ou um velho pórtico de madeira enfileirado de flores, ou lá embaixo, o mar. E ela me explica: - é para o vento brincar.
Então eu olho par ao vento, para um telhado romântico inclinado sobre um estrado ao lado, para minha esposa, e meus olhos mergulhado de água, e embaçam a visão. Um pequenina de 4 anos que soltar um papelzinho em um solar na ladeia de pescadores par ao vento poder brincar. O vento macio, este que agora subitamente ganha forma, é gente, tem vontade, quer brincar e é possível que tenha também 4 anos. Quer brincar o vento, meu Deus! Agradecido e emocionado, observo o vento brincar com seu papelzinho. Poxa! Viajei milhares de quilômetros, o Brasil deve estar cerca de uma Lua daqui. E em minha alma eu tenho a certeza de que isso valeu a viagem, independentemente de tudo o mais. Menininha, menininha!
...e foi só deixar o vento brincar.
Há um poema de Alberto Caeiro que afirma o que segue:

“Para além da curva da estrada talvez haja um poço, e talvez um castelo, e talvez apenas a continuação da estrada. Não sei nem pergunto. Enquanto vou na estrada antes da curva só olho para a estrada antes da curva, porque não posso ver senão a estrada antes da curva. De nada me serviria estar olhando para outro lado e para aquilo que não vejo. Importemo-nos apenas com o lugar onde estamos. Há beleza bastante em estar aqui e não noutra parte qualquer. Se há alguém para além da curva da estrada, esses que se preocupem com o que há para além da curva da estrada. Essa é que é a estrada para eles. Se nós tivermos que chegar lá, quando lá chegarmos saberemos. Por ora só sabemos que lá não estamos. Aqui há só a estrada antes da curva, e antes da curva há a estrada sem curva nenhuma.”




Revista: Filosofia - Ano VI Edição 72 pág. 74-75
Autor: Lúcio Packter


COMO CONHECER A VONTADE DE DEUS


Para ser cristão, é preciso cumprir a vontade de Deus (Mt 12,50) 
e, para poder cumpri-la, é preciso, primeiro,
 conhecê-la o que é prova de sabedoria, 
ao passo que ignorá-la o é de insensatez (Ef 5, 16-17).
Devemos fazer nossa a oração do salmista:
 “mostra-me o caminho dos teus estatutos,
 eu quero guardá-los como recompensa” (Sl 119,33).
Deus manifesta-nos sua vontade de diversas maneiras:
a)      por inspiração do Espírito santo, “o qual dá a conhecer os dons da sabedoria e do discernimento” (Cl 1,9-10), o que Deus quer de nós nas diversas circunstâncias da vida “o que é bom, o que é agradável a ele, o que é perfeito” (Rm 12,2). “ele ensinará a vocês todas as coisas” (Jo 14,26). “encaminhará vocês para toda a verdade” (Jo 16,13); na Igreja, exerce constantemente a função de Mestre, por meio de nossa oração e da palavra crítica dos profetas, a quem ele inspira.
                   O homem tem de saber ouvir a palavra do Espírito santo,
                que contém a plenitude da verdade: o conteúdo da fé e do amor.
b)      Pelos sinais dos tempos. Os fariseus sabiam dizer os fenômenos atmosféricos pela cor do céu e, não obstante, não sabiam descobrir os sinais dos tempos messiânicos (Mt 16,3), apesar de espertos nas Sagradas Escrituras, onde haviam sido prenunciados. Deus nos fala por meio dos acontecimentos históricos, que afetam a comunidade humana, e a pequena história de cada um de nós. Para que o Evangelho seja um evangelho vivo, faz-se necessário estabelecer uma conexão entre sua mensagem e os condicionamentos que configuram nossa existência.
c)       Pelas Sagradas Escrituras. Para os israelitas, a vontade de Deus manifestava-se na lei. Quem cumpre a lei, cumpre a vontade de Deus. E tinham razão. Na Bíblia, Deus revelou a si mesmo e manifestou-nos o mistério de sua vontade (DV 2). Por isso, a “Igreja considerou sempre a Escritura, unida à tradição, como norma suprema de sua fé” (DV 21).
d)      Pela própria consciência. Esta lei, norma suprema de conduta, está também impressa por Deus na consciência do homem. “Na intimidade da consciência, o homem descobre uma lei. Ele não a dá a si mesmo. Mas a ela deve obedecer. Chamando-o sempre a amar e fazer o bem e a evitar o mal, no momento oportuno a voz desta lei lhe soa nos ouvidos do coração: faze isto, evita aquilo. De fato o homem tem uma lei escrita por Deus em seu coração. Obedecer a ela é a própria dignidade do homem, que será julgado de acordo com esta lei” (GS 16).
...Assim na terra como no céu
Tão vastos desertos, céus tão amplos,
Onde tua voz murmura, como um silêncio.
Um aroma de infância, luz de teu seio para dor e prazer 
do universo inteiro.
Nossa ansiedade repousa, como em seu centro,
 no puro equilíbrio de um eterno hoje.
Balança das horas, teu pensamento desta terra de sombras ainda faz o seu reino.
Entre nuvens buscamos que teu mistério seja luz na terra como nos céu.

(V. Sánchez Pinto)
Livro: Pai-Nosso Editora paulinas pág. 140-141
                                                  Autor: Evaristo Martín Nieto

FAMILIARIDADE COM A BÍBLIA


Verbum Domini (Palavra de Deus) é o documento do Sínodo da Palavra realizado em Roma, 5 a 26 outubro de 2008. Recebemos este documento Verbum Domini 
em novembro de 2010.
 É um inestimável presente de Natal oferecido por Bento XVI.
O papa nos convida a nos debruçar sobre a Palavra, fazer uma redescoberta da Bíblia e ter familiaridade com a Palavra para que ela seja o coração de toda a atividade eclesial. Somos convidados a ser amigos da Palavra e a amar cada vez mais as Sagradas Escrituras. 
Que cada fiel possa dizer: “sou amigo da Palavra"!
A fé da Igreja se renova na Palavra de Deus; daí o deixar-se plasmar pelas Escrituras, que são o coração da vida cristã. A Igreja funda-se, nasce e vive da Palavra, e as comunidades crescem graças à escuta, à celebração e ao estudo da Palavra. É precioso reconhecer que nas últimas décadas aumentou na Igreja a sensibilidade pela Palavra de Deus. Como São Paulo, devemos dizer: “Faço tudo por causa do Evangelho” (1Cor 9,23). O papa deseja que nossa relação com as sagradas Escrituras melhore por meio da leitura orante, da liturgia da catequese, da investigação científica. É assim que adquirimos mais familiaridade com a Palavra de Deus.
Deus nos fala e responde através da Palavra. Estabelece profundo diálogo conosco, deixa-se conhecer e fala a nós como um amigo. O terreno da Palavra são nossos ouvidos e nosso coração. Assim, a Escritura Sagrada deve ser proclamda, escutada, lida, acolhida e vivida profundamente.
]Bento XVI faz clara distinção entre Palavra de Deus e Bíblia. A palavra de Deus é mais ampla; ela vem antes do Livro e vai além do Livro. Há uma “sinfonia” da Palavra. Ela fala através da criação porque Deus tudo criou pela Palavra. Ela fala através dos Profetas. A definitiva revelação da Palavra de Deus é Jesus: “P verbo se fez carne”. Os Apóstolos e as comunidade ensinavam a Palavra, antes de ela ser escrita. Só mais tarde veio o Livro,
 ou seja, a Bíblia, principalmente o novo Testamento.
Veneremos intensamente as Sagradas Escrituras, mas o cristianismo não é a religião do Livro, é religião da Palavra. A Igreja deve ser a mestra da escuta para ser discípula. A Palavra é maior que a Igreja, embora a Sagrada Escritura seja um Livro da Igreja, que deve ser interpretado na fé da Igreja. Por isso, a igreja é “casa da Palavra”.
A Palavra de Deus tem o poder de nos reencantar, fascinar, recuperar. Todo o nosso entusiasmo pela Palavra de Deus tem um objetivo: estabelecer um encontro pessoal vivo, definitivo, persuasivo com Jesus Cristo, Palavra do Pai.


Mensageiro do Coração de Jesus – vol. 118 nº 1.303 
Setembro de 2012 -pág. 14-15.
Autor: Dom Orlando Brandes / arcebispo de Londrina - PR