quarta-feira, 24 de outubro de 2012

O Deus da Beleza



A educação através da beleza

Hoje, o que chamamos de beleza está completamente distante de seu centro, de suas raízes, de seu elemento gerador. A beleza e as artes estão em crise: não há mais discernimento entre o belo e o feio, pois a determinante é o consumo, se vende ou não, como um produto qualquer.
A beleza em si não aflora, pois ela não tem direito nesta sociedade em que o dinheiro é o poder.
A proposta da beleza é gratuita, exige tempo, contemplação, namoro, transformação. Àquele que faz arte ou a observa profundamente lhe é pedido mudança, transformação de vida. É impossível permanecer igual, passivo, indiferente diante do belo.
Em todas as culturas e religiões e beleza é, sempre, expressão que nasce numa celebração da vida, e a arte, a linguagem fundamental de todas as religiões, pois é a única palavra-imagem universal a todos os seres humanos.
Há, hoje, uma crise na beleza, porque a crise está na religião, que não tem sido referência para o ser humano contemporâneo, porque se vive fora e dentro dela com os mesmos princípios e expressões.

Autor: C. Pastro
Livro: O Deus da Beleza

terça-feira, 23 de outubro de 2012

A PRIMAVERA AMEAÇADA
 
Em tempos de mudanças climáticas repentinas e imprevisíveis, as estações do ano podem ser interrompidas ou prejudicadas por fenômenos ou pela interferência humana nos ecossistemas. Dos mesmo modo, nas sociedades, experiências novas podem ser sufocadas ou postas em perigo.
Na Igreja Católica, no dia 11 de outubro de 1962, o papa João XXIII convocou o Concílio Vaticano II para renovar a Igreja e preparar melhor a estrutura eclesial para abrir-se á unidade das Igrejas cristãs. João XXIII foi o papa bom e santo que comoveu o mundo com sua simplicidade e desejo de que a Igreja voltasse a se parecer mais com a comunidade evangélica de Jesus. Não passava ao mundo a imagem de um homem fechado sobre seus próprios medos e saudoso dos tempos antigos. Propôs como critérios da renovação uma volta às fontes da fé (o Evangelho), mas também uma verdadeira atualização da Igreja. Pela primeira vez em um concílio universal, a Igreja conseguiu reunir os bispos católicos do mundo todo. Também pastores, teólogas leigos e leigas de outras Igrejas cristãs foram convidados como observadores fraternos. O Concílio não condenou heresia, nem proclamou dogmas. Abriu o diálogo.
Esse diálogo fraterno e espiritual e espiritual foi o estilo da Igreja até o final dos anos 70. Hoje, 50 anos depois, grande parte de cristãos deseja que a Igreja retome aquele clima espiritual. Mas nem todos pensam assim. Na Igreja Católica atual, há três interpretações diferentes sobre o Concílio e o modo de viver a fé. Há os grupos que compreendem a renovação da Igreja como vontade divina. Essa linha foi majoritária nos anos 60. mas desde os tempos do Concílio, houve alguns bispos, padres e leigos católicos (minoria) que o rejeitaram em nome da tradição. Uma terceira interpretação, hoje oficial na cúpula da Igreja, aceita o Concílio, mas apenas nos pontos em que ele garante a velha tradição. Ignora-o e mesmo o desrespeita nos pontos em que ousou mudar o modo vigente. Os que defendem tal postura acentuam uma Igreja clerical, centrada em si mesma e mais preocupada com suas estruturas do que com seguir o Evangelho. Por causa dessa postura, dois dias antes de morrer, há pouco mais de um mês, o saudoso cardeal Carlo Maria Martini, ex-arcebispo de Milão, afirmava: “Infelizmente , a igreja está ao menos 200 anos com relação ao diálogo com o mundo atual.
De todos os modos, não podemos perder a esperança. Jesus disse: “A verdade vos libertará!” (Jo 8,35). As pastorais sociais, comunidades eclesiais de base e caminho ecumênico que o Concílio abriu são hoje opções minoritárias e quase marginais. Mas, mesmo minoritárias e pouco compreendidas, são como os chamava d.Hélder Câmara, “minorias abraâmicas”. Assim como patriarca Abraão, apesar de frágil, velho e estéril, Deus o tornou fecundo, também, pela força divina, essas minorias se tornam sinal de transformações.

Autor: Marcelo Barros
Jornal: O Popular do dia 17/10/12   
Emoções transparecem da mesma forma na música e na voz
 
Tente buscar na memória uma melodia que é capaz de mudar seu humor – é muito provável que a distância entre as notas seja a grande responsável pelas emoções despertadas, segundo estudo publicado na Plas One. O neurocientista Daniel Bowling, da Universidade Duke, analisou os intervalos, ou distâncias entre as notas, em melodias de música clássica ocidental e de ragas indianos e descobriu que, nos dois tipos de música, o tamanho do intervalo médio é menor em melodias associadas à tristeza e maior em melodias ligadas à alegria.
Bowling cita como exemplo dessa variação a Sonata ao luar, um clássico do compositor alemão Ludwig van Beethoven. A melodia da primeira parte da peça, que envolve um pequeno conjunto de notas, evoca melancolia para a grande maioria dos voluntários que a ouvem. Já a segunda parte, mais alegre, compreende intervalos maiores entre as notas. Segundo o neurocientista, a música imita os padrões naturais de nosso instrumento mais primitivo: a voz. Para testar essa teoria, ele gravou 40 pessoas falando – metade delas em inglês e o restante em tâmil, um dialeto indiano. Ele observou que as emoções eram relacionadas a padrões melódicos semelhantes: quanto mais monótona a execução da fala, mais triste ela era considerada.
“A associação de emoções a diferentes características tonais partiu de nossa percepção da fala”
Diz Bowling.

Revista: Mente Cérebro ano XIX N° 235

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Viver Bem Aqui e Agora
Nossa concepção da vida vem se modificando sutilmente há algumas décadas. Não supormos mais o peso de nosso passado, de nossa educação e de nossa família, não somos mais escravos de nossos condicionamento, não nos submetemos mais à repetição de nossos comportamento malogrados, não patinamos mais em meio à insatisfação, mas descobrimos que podemos nos tornar elementos ativos de nossa própria transformação.
Oriunda dos Estados Unidos, a psicologia humanista nos fornece há cinquenta anos ferramentas que são aperfeiçoadas, coordenadas e reinventadas nos diferentes países em que são importadas. Pouco a pouco, a prática faz emergir um perfil humano em processo de liberação. Será que podemos esperar que o rígido controle da escravidão interior venha a se desentesar?
Em todo caso, esta frase alimenta esperanças sem precedentes. Cada um de nós é incitado a abandonar o papel de criatura mais ou menos manipulada como uma marionete para assumir o de criador de sua própria vida. Trata-se como sempre de superar seu passado, curar suas feridas, interessa-se por si mesmo, afirmar-se, dar ouvido às suas sensações, sentimentos e emoções, desenvolver-se, elevar-se, etapas estas que devem ser seguidas conjunta e sucessivamente com amor e paciência. A transformação se dá a partir de conscientizações e da incorporação de uma prática ao cotidiano, com a ajuda de encontros, livros, pensamentos e corações.

Autores: Olivier Nunge
Simone Mortera
Livro: Viver Bem Aqui e Agora

O Padre Vieira e a beleza
Antônio Vieira soube utilizar-se muito bem dos instrumentais da sua época. Descobriu a beleza, a glória (o Kabôd de Balthasar) no discurso das palavras. Tornou-se um literato da língua portuguesa e, através dos recursos utilizados, conseguiu mostrar a grandeza de Deus. Por esta razão nos deixou uma obra literária vasta e variada. Além dos cérebres Sermões mais de duzentos, escreveu alguns tratados proféticos, diversos opúsculos referentes a questões políticas e sociais. Outros opúsculos tratam de Filosofia. Teologia e escritos espirituais. Além desses, existem as cartas em número considerável, ultrapassando em mais de setecentas, escritas ao longo dos seus setenta anos de vida pública. Só na Biblioteca Nacional de Lisboa já forma catalogados quase três mil títulos sobre Vieira.
É possível seguir o pensamento teológico vieiriano pelos seus sermões de acordo com o tempo litúrgico. A escatologia de Vieira está nos sermões do Advento; os sermões do Natal e Epifania relatam a eclesiologia do autor; nos sermões da Quaresma encontraremos um tratado da sacramentologia, acentuando-se a eucaristia e confissão; no Tríduo Pascal, destaca-se a soteriologia de Vieira, enfatizando a Redenção de Cristo como salvação única e exclusiva nele. E nos sermões do período pós-pascal até Pentecostes, ressalta-se a pneumatologia do autor, em que convida a Igreja a viver o Cristo ressuscitado, na dimensão da fé, propagando o Reino de Deus. Percebe-se uma elaboração lógica por parte de Vieira, na concepção dos seus sermões, o que nos permite acentuar uma subordinação do seu pensamento a uma teologia que o autor procura enfatizar através da pessoa de Cristo e dos Padres da Igreja. Afirmar que Vieira seria um homem, apenas, pragmático seria reduzir, simploriamente, a grandeza daquilo que ele foi ao seu tempo e ainda continua sendo nestes quatros séculos. Caso contrário, o que justificaria continuar estudando o padre Antônio Vieira tão exaustivamente?
Balthasar, na sua obra Herrlichkeit [Glória] afirma que Cristo, como palavra encarnada de Deus. É a revelação estética. É a partir desta Gestalt, desta forma humana do Filho em Jesus de Nazaré, que Balthasar desenvolve a sua estética teológica. Vieira, paralelamente, utiliza-se para ser a palavra profética através dos seus sermões.

Autor: Padre João Geraldo Machado Bellocchio
Livro: A Beleza pg. 1076/1077

sábado, 20 de outubro de 2012

DOMINGO - 21/10/2012 - DIA MUNDIAL DAS MISSÕES


Brasil Missionário, partilha tua fé!

A Igreja lembra em outubro, o Mês Missionário. No penúltimo domingo, dia 21, celebramos o Dia Mundial das Missões. Neste fim de semana, gostaríamos que todos vivessem este tempo propício com fé e em unidade.
É um momento forte para a ação missionária em todo o mundo. Todos os cristãos devem sentir o compromisso com o trabalho missionário. É tempo de manifestar nossa solidariedade. A oferta ou coleta missionária é a forma concreta do nosso apoio para as Missões. Somos convidados a motivar e incentivar as pessoas, em nossos grupos e nas celebrações das comunidades, da importância deste gesto concreto.
São milhares de projetos no mundo, que dependem da nossa ajuda. Em países do continente africano, por exemplo, é a única ajuda que recebem através da coleta que as Pontifícias Obras Missionárias (POM) encaminham e chega até os irmãos mais pobres. Sabemos que há necessidades em nosso meio, mas não podemos fechar-nos e deixar de olhar além, pois existem outras realidades com mais carências.

O tema deste mês missionário é muito sugestivo: “Brasil missionário, partilha tua fé”. Temos um bom número de missionários brasileiros que atuam além-fronteiras. Faz bem repartir o recurso humano e nossa oração, mas precisamos também repartir o recurso econômico com a nossa oferta. Sabemos que podemos colaborar mais daquilo que já estamos fazendo. Deus tem sido generoso conosco. Como nós partilhamos ou retribuímos a Deus, tudo o que Ele tem nos dado?
O Papa Bento XVI em sua Mensagem ao Dia Mundial das Missões, nos convida a um compromisso maior ante as necessidades do mundo. A fé é dom que nos foi concedido para ser partilhado e que dê frutos, mas a fé deve se transformar em caridade. “Ai de mim, se eu não evangelizar” (1 Cor.9,16).
Sejamos sensíveis, pois, vamos abrir nosso coração e colaboremos com a Missão da nossa Igreja. Maria, missionária do Pai, nos deu grande testemunho de serviço e partilha. Sigamos seu exemplo e sejamos missionários como Jesus pediu: “Ide, fazei discípulos de todas as nações, batizai-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo; ensinai-os a guardar todas as coisas que vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos (Mt 28, 19 – 20)”.

"DIA MUNDIAL DAS MISSÕES" - Como cristãos somos chamados a uma ação missionária no estilo de Jesus, anunciando o Evangelho como servos, numa atitude de despojamento e simplicidade e dando testemunho da nova maneira de viver que combina com o projeto do Reino.


 


PARA REFLETIR... TEXTO MARIO DE ANDRADE



"Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para 
viver daqui para frente 
do que já vivi até agora.
Tenho muito mais passado do que futuro. 
Sinto-me como aquele menino que recebeu 
uma bacia de cerejas.
 As primeiras ele chupou displicente,
 mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.
 Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. 
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflamados.
 Inquieto-me com invejosos tentando destruir
 quem eles admiram, 
cobiçando seus lugares talentos e sorte.
 Já não tenho tempo para conversas intermináveis,
 para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.
 Já não tenho tempo para administrar melindres
 de pessoas que,
 apesar da idade cronológica, são imaturas. 
Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram
 pelo majestoso cargo de secretário-geral do coral.
 As pessoas não debatem conteúdos, apenas rótulos. 
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos,
 quero a essência, minha alma tem pressa,... 
Sem muitas cerejas na bacia, 
quero viver ao lado de gente humana;
 que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos,
 não se considera eleita antes da hora,
 não foge de sua mortalidade. 
Quero caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, 
O essencial faz a vida valer a pena. 
E para mim, basta o essencial!"