quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Falta de Apoio as grávidas
 
A falta de apoio do companheiro é a principal influência na decisão pelo aborto, segundo a dissertação Aborto provocado: vivência e significado – estudo fundamentado na fenomenologia da psicóloga Cristina Borsari, realizado na Faculdade de Medicina da USP (FMUSP). Além disso, a pesquisadora diz que as políticas públicas de saúde para o cuidado das mulheres que abortam não se desenvolvem devido à marginalização do assunto. A pesquisa foi feita entre 2008 e 2010, com mulheres que haviam se internado em dois hospitais de rede pública da cidade de São Paulo. Elas foram submetidas e um questionário por terem sofrido aborto, tanto espontâneo quanto provocado.
Das 100 mulheres que responderam ao questionário, 11 admitiram ter provocado a interrupção da gravidez.

O medo
Segundo a psicóloga mulheres que entram em hospitais com quadro de aborto muitas vezes não admitem que ele tenha sido provocado com medo de julgamento e represálias, pois o aborto é considerado crime no Brasil – com algumas exceções, no caso de fetos anencéfalos, risco de morte para a mãe ou gravidez de vítimas de estupro. Todas as mulheres entrevistadas disseram sentir culpa em relação ao que fizeram e relataram medo de serem castigadas por Deus, ter alguma doença no futuro ou não conseguir mais engravidar quando desejarem.

Autor: Anderson Fernandes de Oliveira
Revista Psique  Ano VI n°82 ´pg.15

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Além do emagrecimento
 
A semente andina de uso milenar nas graças dos brasileiros por causa do efeito seca-barriga. Mas ela tem talento para muito, muito mais...

Quando desembarcou no Brasil, há pouco mais de um ano, a chia não demorou a entrar na lista de compras dos interessados em perder peso. Nada mais compreensível. Como uma de suas principais características é virar uma espécie de gel ao entrar em contato com a água, ela dá uma baita saciedade, evitando ataques desenfreados de gula ao longo do dia. Só que os benefícios do pequeno grão – consumido por civilizações pré-colombianas há milhares de anos – não ficam restritos ao emagrecimento. Pelo menos é o que a ciência tem revelado.
Em estudo recente da Universidade de Queensland, na Autrália, a semente mostra por que merece aplausos em outros âmbitos. Em um primeiro momento, ratos foram alimentados com bastante gordura e carboidrato. Depois, os cientistas acrescentaram chia na dieta deles durante oito semanas. Ao final da intervenção, ficou claro que a inclusão da semente melhorou a sensibilidade dos bichos à insulina. “Isso significa que o hormônio foi mais eficiente na hora de encaminhar a glicose aos tecidos, processo necessário para a geração de energia”, explica Lindsay Brown, uma das autoras da investigação. No caso dos portadores de diabete, que ralam  para manter o açúcar que passeia pelo sangue em níveis adequados, o efeito é pra lá de bem-vindo, já que representa um maior controle da doença.
O resultado também deve ser encarado com empolgação por pessoas com sobrepeso. É que a maioria já apresenta resistência à ação da insulina. “Daí sobem os riscos de diabete e complicações cardiovasculares”, conta a nutricionista Carolina Chica, da Unidade de Doenças Cardiovasculares da Pontifícia Universidade Católica do Chile. Tem mais: na pesquisa, a chia livrou o fígado de adiposidade. “Esse quadro, conhecido como esteatose hepática, pode culminar em danos permanentes no órgão”, informa a nutricionista chilena.

Revista: Saúde
Autora: Thaís Manarini / Dalena Theron
Pg. 31
Melancia afasta infarto
 
Para chegar a essa conclusão, pesquisadores das universidades das universidade do Kentucky e de Purdue, nos Estados Unidos, deram uma dieta rica em gordura saturada e colesterol a ratos. Depois, os animais foram divididos em dois grupos: um tomou suco de melancia e o outro recebeu água com carboidratos. Aqueles que ingeriram o sumo da fruta tiveram queda de 50% nos níveis de colesterol ruim e nas placas das artérias, além de um ganho de peso 30% menor. “A melancia é rica em licopeno, um poderoso antioxidante”, explica Sibu Saha, um dos pesquisadores. Ainda não dá para dizer a quantidade da fruta que é preciso ingerir para obter benefícios, mas é fácil comer várias porções neste verão, não é?

Revista: Saúde
Pg. 17

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

BRINDE

A jovem me olhou com olhos sorridentes e disse: “O senhor aceitaria um brinde?” La estava dentro de um balcão circular no aeroporto, rodeada de revistas.Oferecia-me, de graça, uma revista, à minha escolha. O nome dela era Sabrina. Devolvi o sorriso, aproximei-me e disse: Não vou aceitar o brinde porque não há brindes. O peixe ao olhar para a isca, pensa: Oh! Um brinde do pescador... Quando eu era jovem tentei ganhar á vida como vendedor de livros. Fracassei, as aprendi à sedução dos brindes. Não vou aceitar o brinde pois sei onde ele me levará, serei fisgado pelo anzol e ficarei odiando você e eu mesmo pelo brinde, nas inúmeras prestações que terei de pagar. “Falo isso por experiência própria”. Ela não argumentou. Percebeu que eu conhecia o engodo. Aí continuamos a conversar . Brinquei com ela:Você está ganhando a sua vida e enganando a vida dos outros. Mas não se envergonhe. Todo mundo engana. A vida é feita de enganos. Os políticos enganam, os líderes religiosos enganam. A propaganda, na sua totalidade,é feita de enganos; lançam a isca para que as pessoas,peixes, abocanhem o anzol...Mas tenho que louvar a sabedoria psicanalítica dos enganadores.Não é possível  pescar usando isca m pedaço de ferro. Só é  isca aquilo que a pessoa deseja. Peixe deseja minhoca...A Internet está cheia de iscas. Diariamente me chegam ofertas que fazem aumentar o pênis...Haverá coisa que os homens desejam mais? Não se deseja pênis para ter prazer pessoal grande. Deseja-se pênis grande para satisfazer à parceira Quanto maios mais prazer oferece. E ela diz, satisfeita, Como é bom que você existe... Nós nascemos para sermos reconhecidos como deuses, disse o Nando do Quarup. Por isso abocanhamos a isca e somos fisgados...  

Livros: Pimentas para provocar um incêndio, não é preciso fogo
Autor: Rubem Alves
pg. 35/36
Críticas
 
Nós cristãos faríamos em prestar mais atenção às críticas que nos fazem de fora. Nem tudo está bem entre nós. Ao longo dos séculos houve não pouca mediocridade e, de fato, m nossa prática religiosa foram se introduzindo desvios e ambigüidades que desfiguram o Espírito de Jesus.
Diz-se, por exemplo, que a religião cristã promove o infantilismo e produz pessoas pouco comprometidas na construção de uma sociedade melhor. Isso é verdade em mais de um caso. Mas isto acontece quando se busca a Deus como refúgio para os próprios problemas e se esquece o Deus revelado por Jesus, interessado por uma vida mais digna para todo ser humano. Ser fiel a Deus, experimentado como Pai de todos, não nos desresponsbiliza nunca, mas no urge a buscar um mundo melhor.
Diz-se também que a religião semeia dogmatismo e intolerância; que os católicos se sentem “proprietários” da verdade absoluta e isso os leva a desprezar os outros; que a religião traz consigo cruzadas e “guerras de religião”. Quem pode permanecer insensível a estas críticas quando conhece o que ocorreu ao longo dos séculos? Tudo isso aconteceu quando os cristãos esqueceram o Deus Pai anunciado por Jesus, que “faz nascer seu sol sobre bons e maus e chover sobre justos e injustos”.
Afirma-se que a religião não faz senão “culpabilizar”: que os cristãos vivem obcecados por questões como o divórcio, os preservativos ou o aborto; que só têm olhos para ver o mal da humanidade. Existe muita verdade em algumas destas críticas. O crente procura ser fiel a Deus e isso o faz ser mais lúcido e sensível ao mal. Mas a “obsessão casuística” ou a “morbosidade moral” ocorrem quando se esquece que Jesus coloca o ser humano não diante de um conjunto de leis, mas diante exigências do amor.
Afirma-se também que a religião leva ao conservadorismo; que os católicos vivem atados ao passado, incapazes de libertar-se do lastro de ritos, linguagens e costumes de outros tempos. Se isto acontece, é porque se esquece o Espírito criador e renovador de Jesus para buscar a segurança do passado.
A nós cristãos resulta duro ouvir as críticas que nos são dirigidas de fora da Igreja. Quase sempre nos parecem injustas e desprovidas de verdade. Essas críticas nem sempre nascem de pessoas hostis à fé, mas de crentes que, embora vivam mais ou menos afastados da Igreja, procuram responder honestamente a Deus a partir de sua própria consciência. Precisamos ouvir suas críticas, porque nos podem ajudar a ser mais fiéis ao Evangelho. Ás vezes, inclusive, podemos aprender de sua atitude responsável diante de Deus. É surpreendente a grandeza de Jesus, capaz de elogiar a fé que encontra num centurião romano: “Digo-vos que nem em Israel encontrei tanta fé”.

Livro: O caminho aberto por Jesus
Autor: José Antonio Pagola
Pg.128/129

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Etiqueta

Olhei para o prato de alface que estava à minha frente, no restaurante Bem-Bom, igreja que freqüento com fidelidade. A alface me fez lembrar poesia.
É normal. Os poetas veem poesia em qualquer coisa, seja uma cabeça de alface, uma cebola, um quiabo chifre-de-veado, uma pedra ou mesmo uma formiga... O poeta Manoel de Barros explicou esse fenômeno: “Todas as coisas cujos valores podem ser disputados no cuspe à distância servem para poesia. O homem que possui um pente e uma árvore serve para poesia.
Os poetas são mais felizes que os executivos e empresários. Os poetas viajam pra muito longe montados numa cabeça de alface. Mas,para esses últimos, uma alface é apenas uma alface a ser comida. Não os leva a lugar algum.
Lembrei-me do Alberto Caeiro, que voou num prato de salada: “No meu prato que mistura de natureza! As minhas irmãs, as plantas, as companheiras das fontes, as santas a que ninguém reza... E cortam-se e vêm à nossa mesa e nos hotéis os hóspedes ruidosos... pedem ‘saladas’, descuidosos. Sem pensar que exigem à Terra-Mãe a sua frescura e os seus filhos primeiros, as primeiras verdes palavras que ela tem, as primeiras coisas vivas e irisantes que Noé viu quando as águas desceram e o cimo dos montes verde e alagado surgiu e no ar por onde a pomba apareceu o arco-íris se esbateu...”.
Terminada essa divagação lírica, torno consciência de que vou comer a alface. Mas como comê-la? Não é coisa simples. A resposta a essa questão vital exigiu a intervenção erudita dos especialistas em etiqueta.cortar uma alface para comê-la? Jamais! A alface verde virginal não pode ser estuprada pela faca, esse instrumento fálico! Suas folhas devem ser comidas inteiras.
Mas comer uma folha de alface sem cortá-la com a faca exige ma habilidade especial, dada a discrepância entre o tamanho da superfície da folha de alface e o apertado orifício onde ela deve entrar, a boca. Para realizar esse feito, é preciso valer-se de artifícios técnicos sofisticados.
É assim. Usando-se a faca como uma espátula, para não ferir a folha com o corte, imobiliza-se a folha no prato. Ato contínuo, usando o garfo, executa-se uma dobradura na folha. Nesse momento, a faca é deslocada de onde estava e é transferida para a superfície da folha dobrada. E assim se vai procedendo, até que a folha, a princípio lisa e aberta como o rosto de uma mulher, seja reduzida a uma pequena trouxa gorda. Então, o garfo penetra na trouxa para fixá-la nesse formato, enquanto a faca é usada para empurrar a trouxa mais para o fim dos dentes do garfo, para impedir que ela se obra. A folha de alface está pronta para ser comida.

Livro: Pimentas
Autor: Rubem Alves

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

O materialismo de Marx X o “antigo materialismo”

Se a grandeza de m pensador devesse ser medida pelos debates que ele suscitou, ninguém nos últimos dois séculos pode se comparar a Karl Marx.


Embora defensores do materialismo filosófico, Marx e Engels condenavam as antigas escolas do materialismo. Para eles,essas escolas eram:
·        Mecanicistas: o “antigo materialismo” considerava toda a realidade material sujeita a leis mecânicas e estritamente deterministas. Isso se chocava com o desenvolvimento recente das ciências, como a química, a física e a biologia.
·        Antidialéticas: o “antigo materialismo” considerava a realidade material como algo estático, perfeito e acabado. Era, portanto, antidialético. Marx e Engels absorvem as concepções dialéticas de Hegel e as aplicam no materialismo. Assim, a realidade material, seja da natureza ou da sociedade, é concebida dentro de um processo dialético de permanente evolução, de incessante movimento.
·        Anti-históricas: o “antigo materialismo” considerava o ser humano como uma entidade fixa no tempo, portador de virtudes e vícios, mas sempre o mesmo ao longo da história. O materialismo dialético, por sua vez, encara o homem como um ser histórico, isto é, diretamente influenciado por sua época, pelo seu meio geográfico e social, mas um ser igualmente capaz de reagir, pelo trabalho consciente, ao mundo em que vive e sobretudo pelo tempo em que vive, pelo meio social, pela classe a que pertence, pelo sistema produtivo e de apropriação, que determina a sua percepção e consciência. Essa reação se dá através da práxis.

Livro: fundamento da Filosofia
Autor Gilberto Cotrin
Pg. 258