terça-feira, 5 de junho de 2012

Uma oração de Jesus


(Inácio Larrañaga)
Texto: O pobre de Nazaré

Pai Santo e querido: estou me debatendo sozinho com a minha sombra. As feridas estão abertas e eu preciso do óleo da tua consolação, meu Pai.
 Sei que não posso chegar a aurora a não ser pelo atalho da noite, mas dá-me a tua mão para a travessia. Canta-me, Pai, uma estranhável canção, talvez uma canção de ninar, e a alegria voltará lá de longe.
 Envia-me um forte vento de popa: de novo levantarei as âncoras, soltarei as amarras e partirei para o alto mar. Será que o vento dispersará as sementes sobre as estepes estéreis?
 Eu irei adiante semeando; tu virás atrás tocando com tua mão mágica e até as urtigas e os espinhos florescerão. Meu Pai, planta em meu caminho de pedras, ervas aromáticas, tomilho, manjericão e hortelã.
 Águas frescas brotarão esta noite, e amanhã haverá neve sobre o monte Hermon e alento em minha alma. E alegre partirei de novo até o lago. Amém.
(Jesus conhecia e amava a natureza e com ela fazia suas preces e suas pregações. Precisamos aprender a fazer o mesmo.)

PLATÃO E AS DEFINIÇÕES DE JUSTIÇA


No primeiro livro, daquela que é considerada sua obra-prima. A República, Platão coloca lado a lado as definições de justiça da época – e, em certa medida, da tragédia -, “fazer bem aos amigos e mal aos inimigos” (332ª-e), e lírica, “dar a cada um o que lhe for devido” (331ª-e)  e da sofística, “a justiça é a conveniência  do mais forte” (338c). Ao longo de todo o diálogo, Sócrates irá mostrar por que nenhuma dessas definições é a adequada. Como sabido, Platão discordava da posição dos sofistas que acreditavam poder ensinar a virtude política a quem quer que fosse. Na República irá demonstrar que só determinadas pessoas nascem com o dom da sabedoria política. Aquele que não possui de nascença uma alma afeita à prudência e à sabedoria não pode governar a cidade. A política, assim como as outras atividades, exige um tipo específico de habilidade e técnica. Um treinamento externo não vai conseguir fazer despertar esse dom se o aluno já não o carregar dentro si. Platão defende um tipo atenuado de regime aristocrático, pois apesar de acreditar que os melhores, isto é, os melhores não em força, mas em sabedoria, devam governar, não crê que o talento político possa ser passado de pai para filho, é preciso que se nasça com ele.Percebemos com essa exposição que a tradição filosófica grega está em direta conexão com a tradição dramática e poética.A famosa expulsão dos poetas da cidade ideal no livro X da República deve, por isso, ser considerada como mero artifício retórico. Platão só faz uso desse artifício por querer enfatizar a sua posição, não porque acreditasse de fato que as educações política e moral pudessem ser realizadas sem a ajuda dos poetas e dramaturgos.
Infelizmente muita gente levou essa expulsão a sério e até hoje sofremos os efeitos colaterais dela. A poesia e a literatura foram equivocadamente expulsas dos departamentos de filosofia e em seu lugar colocamos as “deusas” ciência e epistemologia. Os gregos nos legaram uma lição riquíssima que não soubemos aproveitar. Ao invés de estimular nossas escolas e universidades a adotar em seus currículos,além das ciências as artes em é de igualdade, menosprezamos o seu papel na educação e conferimos-lhes um papel subalterno na mesma. Nossos poetas e escritores nacionais são esquecidos, quando na verdade poderiam estar dando uma enorme contribuição para a formação moral das nossas crianças e nossos jovens.. Esse quadro não irá mudar infelizmente, enquanto não recuperarmos o sentido verdadeiramente humanístico da educação.É preciso que a sociedade veja no artista não a figura vaidosa, mas alguém que deseja contribuir para o engrandecimento moral de todos.

Autora: Susana de Castro
Revista: Filosofia n°24    Pg.38


segunda-feira, 4 de junho de 2012

REPRESENTAÇÃO DOS QUATRO EVANGELISTAS


Jesus não deixou nada escrito. Sua missão foi de anunciar e fazer acontecer o Reino de Deus, reino que se fundamenta no amor, na justiça e no serviço, sobretudo aos mais pobres.
Mateus, Marcos, Lucas e João são os nomes dos quatro evangelistas. Os três primeiros livros são conhecidos com Evangelhos Sinóticos porque são escritos numa mesma ótica. Eles descrevem muitos milagres e palavras de Jesus. Reúnem e completam os assuntos que serviram de base para toda a catequese existente em suas comunidades. João, por sua vez, procura dar um conhecimento mais profundo e luminoso do mistério de Jesus, “O Verbo feito carne”.
A iconografia cristã (representação por imagens) atribui um símbolo a cada um dos quatro evangelistas. Esta atribuição é feita a partir dos textos de Ezequiel 1, 1-4 e 10, 14 e de Apocalipse 4, 6-7, que falam de quatro seres vivos com aparência de touro, leão, ser humano e águia. O primeiro a relacionar os evangelistas com estes seres foi Santo Ireneu (+ 203). Depois foi Santo Agostinho (+430). Assim, surgiu o costume de representa os quatro Escritores Sagrados nas pinturas e nas esculturas junto aos seus símbolos.
      Mateus é representado por um anjo ou homem alado porque inicia o seu evangelho com a genealogia de Jesus Cristo, mostrando a sua origem e descendência humanas, marcados pelo seu nascimento (Cf. Mt 1). É a dimensão da obra-prima de Deus que criou o homem à sua imagem e semelhança.
Marcos inicia o seu Evangelho falando de João Batista, a voz que clama no deserto (Cf. Mc 1,1-25). Seu símbolo é um leão alado, representando as feras que habitam o deserto. É a dimensão da força, realeza, poder, autoridade do Filho de Deus.
     Um touro alado simboliza o evangelista Lucas. Ele inicia o seu Evangelho falando do Zacarias, sacerdote em função naquele ano e cuja tarefa era oferecer sacrifícios no Templo de Jerusalém. O touro é a representação dos sacrifícios oferecidos (Cf. Lc 1,25). É a dimensão da oferta a Deus.

João, dentre os quatro o maior teólogo, é representado por uma águia, por causa do elevado estilo do seu Evangelho, que fala da Divindade e do Mistério altíssimo do Filho de Deus. Ele inicia seu Evangelho de cima pra baixo: "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus" (Cf. Jo 1,1-5). Daí a águia, por ser a ave que voa mais alto e faz os seus ninhos nos montes mais elevados. É a dimensão da liberdade do Filho de Deus diante das forças deste mundo.
Paróquia Nossa Senhora de Fátima – Parnaíba- PI.
       Pd. Carlos Alberto Seixas de Aquino

Festa de Corpus Christi

                                                                                       (Autor: Paulo Motta)

Comemoração mundial. Dia de festa e alegria.
Em visita à cidade Jesus vai pelas ruas seu povo abençoar.
Todos foram convidados a comparecer e festejar.
Grande evento e cortejo haverá, pois
O Senhor Jesus da caminhada participará.

Em tapetes preparados com flores e arte,
Com devoção e coração no chão,
Para Deus vivo, e verdadeiro
Que passando entre os presentes deixa o bem
E alegra plenamente a vida cristã.

No brilho do ouro da mãe terra,a hóstia consagrada
traz a presença oculta de Jesus que alimenta,
até a vida eterna, a fé de seus discípulos e amigos.
O povo devoto e feliz repete sem cessar
Eu creio, Senhor, mas aumenta a minha fé.

Como outrora na entrada de Jerusalém
As crianças alegres de anjos vestidas
Cantam hosanas ao Messias Filho de Deus
                                                      O Senhor e Salvador, esperança certa
de ressurreição, de vitória sobre o pecado e a morte.

O Filho de Maria nascido em Belém,
O caminho do Calvário outrora percorreu
Entre zombarias e maus tratos e sofrimentos.
Hoje entre os filhos de Deus agradecidos recebe
as homenagens comovidas de seu povo.

As folhagens buliçosas de nossas árvores que
nunca perdem a cor nem temem a fuga da estação
Agitam-se ao som da música e das melodias dos corações
Participando da passagem do seu criador
e já recebendo assustados os pássaros inquilinos.

O fogo das velas lembram Cristo luz do mundo,
que incendeia os corações crentes e devotos
na tarde memorável de um dia que se despede
Deixando em todos a saudade de Deus
que volta para no sacrário esperar..

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Vietnã


Mulher, como você se chama? – Não sei.
Quando você nasceu, de onde você vem? – Não sei.
Para que cavou uma toca na terra? – Não sei.
Desde quando está aqui escondida? – Não sei.
Por que mordeu o meu dedo anular? – Não sei.
Não sabe que não vamos te fazer nenhum mal? – Não sei.
De que lado você está? – Não sei.
É a guerra, você tem que escolher. – Não sei
Tua aldeia ainda existe? – Não sei.
Esses são teus filhos? – São.

Autora: Wislawa Szymborska


O SONHO


Todo sonho é uma carta no envelope do sono

 Os sonhos, sem nenhuma exceção, sempre giram ao redor de conteúdos psíquicos importantes. Se não fosse assim, tais conteúdos psíquicos não teriam fosca suficiente para embaraçar o sono originar os sonhos.
 Não há sonho trivial. Só aparentemente os sonhos são triviais. Bem analisados, fornecem dados valiosos acerca de nossa personalidade e do nosso mundo inconsciente.
 Pelos sonhos podemos conhecer-nos em profundidade. Analisando cada sonho, à medida que sonhamos, poderemos solucionar possíveis conflitos interiores, descobrir problemas que eles querem revelar, podemos ajustar progressivamente nossa vida concreta aos imperativos grandiosos de nossa  vida. Precisamos aprender a interpretar os nossos sonhos, não para virarmos cartomantes, mas para sermos aquilo que essa aprendizagem ajuda a ser.

Quando Freud desvendou uma nesguinha do significado profundo dos sonhos, ficou tão entusiasmado que registrou esta efusão: “Depois de minha morte colocarão uma placa nesta casa: “Aqui, no dia 24 de julho de 1895, Sigmund Freud desvendou o segredo dos sonhos.”
 Ele tinha razão. Pois percebera que “o sonho é a via régia do inconsciente”.
 Não há caminho superior ao sonho para chegarmos até o nosso inconsciente e descobrir o que aí se passa.
 O ego e o superego permitem que o id e o conteúdo recalcado façam à noite o que não deixam fazer durante o dia. Como estamos deitados o inconsciente encontra maneiras fictícias de realizar seus impulsos. É o que tecnicamente chamamos alucinações.
 Todo sonho é uma alucinação.
 Além de ser alucinação, todo sonho é uma dramatização.
 Os pensamentos dos sonhos são pensamentos bem especiais. Jamais são teóricos ou abstratos. São sempre concretos.
 Em Psicanálise deu-se o nome de dramatização a esse aspecto concreto dos pensamentos oníricos, devido à semelhança com a representação teatral.

Autor: João Mohana – Médico e Psicólogo
Livro: Ajustamento Conjugal
Editora Globo

Conhecer Personalidade para Compreender Ajustamento




 Para considerar a pessoa humana globalmente, podemos usar vários termos que indicam precisamente esta totalidade que queremos acentuar. São eles: constituição, temperamento, caráter, personalidade.
 Podemos dizer que por constituição se entende a estrutura biológica do homem, o seu arcabouço físico, o aspecto estático. Nicolau Pende esquematiza a constituição como sendo uma pirâmide que possui uma base e três lados. Sua base é a carga hereditária, tudo aquilo que recebemos quando fomos concebidos, ou seja, o que está contido nos 23 pares de cromossomas que nossos pais nos legaram. Essa carga marca com um sinete de individualidade cada célula do nosso corpo. Os três lados da pirâmide correspondem ao sistema nervoso, ao sistema endócrino e à morfologia, isto é, à forma física do nosso organismo.
 Dentro desta pirâmide surgem dois dinamismos: um espontâneo, nativo, que seria o comportamento assim como brota da constituição. Constitui o que é comumente chamado temperamento, que corresponderia ao Id, na terminologia de Freud.
 O outro dinamismo é o controlador dêste, resultado da nossa autodeterminação, da educação, das influências sociais e é o que chamamos caráter. Querendo encontrar um paralelo em Freud, como o encontramos para o primeiro dinamismo, pode-se dizer que corresponde ao Superego freudiano. Richard Lazarus tem dois conceitos que poderíamos colocar em paralelo com estes, quando se refere às duas estruturas específicas da personalidade: a motivação e o controle.
 A personalidade é a síntese de tudo isso: constituição, temperamento, e caráter. Por isso ela é ao mesmo tempo estrutural, isto é, estática, e dinâmica. Estes dois aspectos, estático e dinâmico, são bem definidos na forma como a personalidade já foi conceituada: “modo característico de uma pessoa ser e agir” O ser constitui o aspecto estático e o agir o aspecto dinâmico. É por tanto a síntese psíquica do homem, o conjunto de todos os elementos que o individualizam e determinam suas respostas peculiares ao ambiente.
 O ambiente não é meramente externo: é um fator modelador da personalidade, que entra na sua estrutura, assim como a personalidade também sai e carrega o ambiente de riqueza psicológica quando lhe dá um significado. Dêste modo, nossa personalidade tem muito do mundo em que vivemos e o mundo em que vivemos tem muito de nós: nós o construímos, do ponto de vista psicológico.

Autoras: Maria Lúcia Hannas - Ana Eugenia Ferreira -Marysa Saboya
Psicologia do Ajustamento