segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015



FESTA DA APRESENTAÇÃO DO SENHOR, FESTA DA LUZ

O dia 2 de fevereiro é o dia em que a Igreja celebra a festa solene da Apresentação do Senhor e a festa da luz, a assim chamada na tradição da Igreja “CANDELÁRIA” ou seja, a festa em que recordamos a Apresentação após quarenta dias do  nascimento de Jesus. Vem assim chamada “CANDELÁRIA” porque nesta data são abençoadas as velas, candeias, símbolo de Cristo “Luz do mundo” para iluminar os povos, assim como o menino Jesus foi chamado pelo velho Simeão no momento da Apresentação ao Templo de Jerusalém, conforme as regras prescritas na lei hebraica para o primeiro filho homem, o primogênito.
A festa é também chamada de “festa da Purificação de Maria, porque, segundo o uso judaico, uma mulher era considerada impura do sangue menstrual por um período de quarenta dias após o parto de um filho homem e tinha que ir al Templo para purificar-se. Essa festa tem início na liturgia a partir do séc.V. Lê-se nesse dia a profecia de Malaquias que anuncia a apresentação do Senhor no Templo, quando o velho Simeão que esperava o Messias identificou Jesus como sendo o esperado, chamou-o de Luz para iluminar todas as nações e glória do povo escolhido.
Com a celebração da purificação de Maria e apresentação do Senhor no Templo termina o ciclo natalino ou celebração do Natal.
Diariamente a Igreja lembra o canto de Simeão na reza das “Completas”, última oração da Liturgia das Horas.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

                  Dormindo no banco da praça


Eu tinha feito uma promessa quando ainda menino de que se chegasse a ser padre iria rezar uma missa na Basílica de Aparecida. Na ocasião eu era um garoto de onze anos.O tempo passou. E o menino que fez a promessa chegou a ser padre. Não esqueceu seu compromisso com a Mãe de Deus, mas designado para lugares distantes, foi deixando para época mais oportuna. E essa chegou.
Estando no Rio de Janeiro, já com dez anos de ordenação providenciou a viagem até Aparecida. Naquela época havia o chamado trem de aço que fazia o percurso Rio – São Paulo. Era o noturno que saia do Rio às vinte horas, passava por Aparecida por volta das duas da madrugada. A essa hora tudo parado, todos dormindo não era o caso de procurar um hotel porque às seis horas a Basílica já estaria aberta. Fazia frio, mas o padre estava agasalhado com uma longa capa dupla.
Havia uma praça e nela muitos bancos. Escolhi um deles mais perto do templo e nele resolvi dormir. Estava tão cansado e com tanto sono que dormi um sono dos anjos…
Por volta das cinco horas da manhã os caminhões estacionados na praça começaram a se movimentar e seus motoristas que dormiram no próprio veículo, passavam para tomar um cafezinho quente. Vendo alguém dormindo no banco da praça, passaram devagar comentando: “É isso aí o cara enche a cara depois não consegue voltar para casa, cai no primeiro banco embalado pela pinga…
Eu acordei com o barulho de caminhões ligados e com a conversa bem perto de mim. Não me levantei para explicar ou me justificar.
Depois, levantei-me ainda com sono e me dirigi devagar para o lado da igreja, que de fato abriu as portas às cinco e meia da manhã. Lá rindo de mim  mesmo e pensando como o povo, em geral julga as pessoas. E como foi bom passar por bêbado quem de fato tinha vontade de se embriagar pelas coisas divinas e pela sua história da vida de menino  quando ali fiz a promessa.
 
Contos de Paulo Motta
Livro: Memórias de um Seminarista
Para refletir a Palavra de Deus no dia de hoje.

Evangelho (Mc 4,26-34)

O Evangelho de hoje traz duas parábolas do Reino:
1. A primeira delas, apresenta que o Reino de Deus exige uma dupla atitude: empenho e espera. 
2. A segunda, exige perseverança na espera paciente.
O Reino de Deus não nasce já grande e vistoso. As parábolas são um convite à confiança e à esperança. 
A 1ª leitura de hoje da carta aos Hebreus cap. 10, 36-39, nos exorta quanto a vivência dessa perseverança quando diz: 36De fato, precisais de perseverança para cumprir a vontade de Deus e alcançar o que ele prometeu. 37Porque ainda bem pouco tempo, e aquele que deve vir virá e não tardará. 38O meu justo viverá por causa de sua fidelidade, mas, se esmorecer, não encontrarei mais satisfação nele”. 39Nós não somos desertores, para a perdição. Somos homens da fé, para a salvação da alma.

  

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015



       SEGREDO














O segredo da noite que desce sobre a terra.
O brilho das estrelas, só os poetas interpretam.
Só o vento conhece o segredo do espaço.
O mar na sua grandeza e profundidade
esconde seu segredo nunca desvendado.

O segredo das matas, elas o trazem consigo;
derrubadas e mal tratadas morrem e não o revelam.
O segredo da flor ela não conta nem às borboletas.
O segredo da vida é o mesmo do Criador.

O segredo das pessoas só Deus o conhece.
O segredo da rocha o túnel não descobriu.
O segredo da sabedoria o sábio silencia e guarda.
Para o segredo e o mistério faltam palavras
mas tudo e todos os têm, é o belo da vida.

Paulo Motta
Palavra de Deus Hoje...
Hebreus 10, 22-25
Aproximemo-nos, portanto,
de coração sincero e cheio de fé,
com coração purificado de toda a má consciência
e o corpo lavado com água pura.
23Sem desânimo, continuemos a afirmar a nossa esperança,
porque é fiel quem fez a promessa.
24Sejamos atentos uns aos outros,
para nos incentivar à caridade e às boas obras.
25Não abandonemos as nossas assembleias,
como alguns costumam fazer.
Antes, procuremos animar-nos mutuamente,
e tanto mais quanto vedes o dia aproximar-se.
Palavra do Senhor!

Evangelho - Mc 4,21-25 

Naquele tempo, Jesus disse à multidão:
1'Quem é que traz uma lâmpada
para colocá-la debaixo de um caixote, ou debaixo da cama?
Ao contrário, não a coloca num candeeiro?
22Assim, tudo o que está escondido
deverá tornar-se manifesto,
e tudo o que está em segredo deverá ser descoberto.
23Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça.'
24Jesus dizia ainda:
'Prestai atenção no que ouvis:
com a mesma medida com que medirdes,
também vós sereis medidos;
e vos será dado ainda mais.
25Ao que tem alguma coisa, será dado ainda mais;
do que não tem, será tirado até mesmo o que ele tem.'
 

Palavra da Salvação.


quarta-feira, 28 de janeiro de 2015



Santo Tomás de Aquino


Nascido em uma família de nobres, Tomás de Aquino fez os primeiros estudos no castelo de Monte Cassino. Em Nápoles, para onde foi em 1239, estudou artes liberais, ingressando, em seguida, na Ordem dos Dominicanos, em 1244. De Nápoles, a caminho de Paris, em companhia do Geral da ordem, foi sequestrado por seus irmãos, inconformados com seu ingresso no convento.
A primeira questão de que se ocupa Tomás de Aquino - na Suma Teológica, sua obra máxima - é a das relações entre a ciência e a fé, a filosofia e a teologia. Fundada na revelação, a teologia é a ciência suprema, da qual a filosofia é serva ou auxiliar. À filosofia, procedendo de acordo com a razão, cabe demonstrar a existência e a natureza de Deus.
Numa época em que a Igreja ainda buscava em Santo Agostinho (354-430) e seus seguidores grande parte da sustentação doutrinária, Tomás de Aquino formulou um amplo sistema filosófico que conciliava a fé cristã com o pensamento do grego Aristóteles (384-322 a. C.) - algo que parecia impossível, até herético, para boa parte dos teólogos da época. Não se tratava apenas de adotar princípios opostos aos dos agostinianos - que se inspiravam no idealismo de Platão (427-347 a. C.) e não no realismo aristotélico - mas de trazer para dentro da Igreja um pensador que não concebia um Deus criador nem a vida após a morte.
Profundamente influenciado por Aristóteles, Tomás de Aquino sustenta que nada está na inteligência que não tenha estado antes nos sentidos, razão pela qual não podemos ter de Deus, imediatamente, uma idéia clara e distinta.
Um exemplo de como o tomismo emprega a razão a serviço da fé cristã é o conjunto de argumentos, todos de cunho empírico, isto é, que se demonstram por via da experiência, que provam a existência de Deus. Eles ficaram conhecidos como as Cinco Vias que levam a Deus. São elas:
1) Movimento: as coisas se movem. E se existe o movimento, existe também alguém que provoca o movimento.
2) Causalidade: É impossível algo ser causa e efeito ao mesmo tempo. Observa-se na natureza uma ordem segundo uma relação de causa e efeito. Não há efeito sem causa.
3) Possível e necessário: As coisas podem ser e não ser. Todas as pessoas que conhecemos e nós mesmos não existimos para sempre, somos seres contingentes.     
4) Graus de perfeição: "Existe algo que é, para todos os outros entes, causa de ser, de bondade e de toda a perfeição: nós o chamamos Deus".
5) Finalidade: trata dos seres que se movem em uma direção, que possuem uma finalidade, o que é facilmente verificável na vida na Terra, que progride rumo a maiores níveis de organização, desde simples bactérias até modernas sociedades humanas.
Tomás de Aquino acentuou a diferença entre a Filosofia, que estuda todas as coisas pelas últimas causas através da luz da razão, e a Teologia, ciência de Deus à luz da revelação.
Mostrou que o homem é o ponto de convergência de toda a criação e que nele se encerram,de certo modo, todas as coisas.
Ensinou que há uma união substancial entre a alma e o corpo. Isto é o fundamento maior da dignidade da pessoa humana. Esta é um corpo que está enformado por uma alma ou uma alma a enformar um corpo.
Defendeu o livre arbítrio, ou seja, a liberdade da vontade humana para aderir ao bem ou ao mal, donde a responsabilidade moral do homem. Daí a sanção da lei: prêmio para as boas ações e punição para os atos maus.
Para ele a morte determina para sempre a alma humana quer na desordem e na infelicidade, quer na ordem e na felicidade, como está na Bíblia.

Link: http://www.mundodosfilosofos.com.br/aquino.htm
Evangelho (Mc 4,1-20)

Naquele tempo, 1Jesus começou a ensinar de novo às margens do mar da Galileia. Uma multidão muito grande se reuniu em volta dele, de modo que Jesus entrou numa barca e se sentou, enquanto a multidão permanecia junto às margens, na praia.
2Jesus ensinava-lhes muitas coisas em parábolas. E, em seu ensinamento, dizia-lhes: 3“Escutai! O semeador saiu a semear. 4Enquanto semeava, uma parte da semente caiu à beira do caminho; vieram os pássaros e a comeram. 5Outra parte caiu em terreno pedregoso, onde não havia muita terra; brotou logo, porque a terra não era profunda, 6mas, quando saiu o sol, ela foi queimada; e, como não tinha raiz, secou. 7Outra parte caiu no meio dos espinhos; os espinhos cresceram, a sufocaram, e ela não deu fruto.
8Outra parte caiu em terra boa e deu fruto, que foi crescendo e aumentando, chegando a render trinta, sessenta e até cem por um”. 9E Jesus dizia: “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça”. 10Quando ficou sozinho, os que estavam com ele, junto com os Doze, perguntaram sobre as parábolas. 11Jesus lhes disse: “A vós, foi dado o mistério do Reino de Deus; para os que estão fora, tudo acontece em parábolas, 12para que olhem mas não enxerguem, escutem mas não compreendam, para que não se convertam e não sejam perdoados”.
13E lhes disse: “Vós não compreendeis esta parábola? Então, como compreendereis todas as outras parábolas? 14O semeador semeia a Palavra. 15Os que estão na beira do caminho são aqueles nos quais a Palavra foi semeada; logo que a escutam, chega Satanás e tira a Palavra que neles foi semeada. 16Do mesmo modo, os que receberam a semente em terreno pedregoso, são aqueles que ouvem a Palavra e logo a recebem com alegria, 17mas não têm raiz em si mesmos, são inconstantes; quando chega uma tribulação ou perseguição, por causa da Palavra, logo desistem.
18Outros recebem a semente entre os espinhos: são aqueles que ouvem a Palavra; 19mas quando surgem as preocupações do mundo, a ilusão da riqueza e todos os outros desejos, sufocam a Palavra, e ela não produz fruto. 20Por fim, aqueles que recebem a semente em terreno bom são os que ouvem a Palavra, a recebem e dão fruto; um dá trinta, outro sessenta e outro cem por um.”

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

Comentário

Nosso texto pode ser dividido em duas partes: a parábola e a explicação  ou alegoria da parábola. é provável que a redação da alegoria da parábola tenha sido escrita num período distinto daquele em que a parábola foi dita.  Muito embora não tenhamos acesso ao contexto original em que a parábola foi pronunciada, podemos conjeturar que tipo de questão pode ter dado origem à parábola do semeador: Por que a Palavra de Deus é semeada no coração de uns e não de outros? Porque ela produz frutos em uns e não em outros? Deus faz distinção de pessoas? Deus não faz acepção de pessoas. A semente é semeada em toda a extensão do terreno. sua Palavra é oferecida e semeada no coração de todo ser humano indistintamente. O modo com que a Palavra de Deus é acolhida e o espaço que ela encontra no coração e na vida de cada um é que permite ou não que ela produza os frutos próprios de seu dinamismo, pois assim como a chuva e a neve que caem do céu para lá não voltam sem terem regado a terra, assim é a Palavra que sai da boca de Deus e que cai no coração do ser humano.